Projeto Miné

Diversidade que educa.

Uma comunidade escolar se torna mais rica quando reúne diferentes histórias, experiências, perspectivas e formas de compreender o mundo.

No Gracinha, essa diversidade faz parte do projeto pedagógico. Conviver com diferentes realidades amplia repertórios, provoca novas perguntas e contribui para a formação de estudantes capazes de compreender o outro e participar de uma sociedade plural.

O Projeto Miné nasce desse compromisso. Uma iniciativa da Associação pela Família (ASPF) que amplia as condições para que alunas e alunos bolsistas participem integralmente das experiências que constituem sua trajetória no Gracinha.

Mais do que garantir a permanência na escola, o Miné cria condições para a participação na vida escolar em todas as suas dimensões.

Participar de uma escola é viver tudo o que ela propõe

Participar de uma escola é viver tudo o que ela propõe

Uma bolsa de estudos garante o acesso à escola. Mas a experiência escolar é formada por muito mais.

Estudos do Meio, livros, materiais, alimentação, transporte e outras experiências que integram o percurso formativo também precisam estar ao alcance de todas as alunas e todos os alunos.

O Projeto Miné atua justamente nesse espaço, ampliando as condições de participação das alunas e dos alunos bolsistas nas experiências que fazem parte da vida no Gracinha.

Assim, estudantes com diferentes trajetórias podem aprender, investigar, conviver e participar juntos.

E é nessa convivência que o impacto do projeto alcança toda a comunidade.

Rafael Gioielli

A presença dos bolsistas na escola não é um benefício só para o bolsista. É um benefício para a comunidade escolar de forma geral.

Rafael Gioielli
Ex-aluno, pai de estudantes do Gracinha e Família Embaixadora do Projeto Miné

Uma experiência formativa para todas e todos

Garantir uma bolsa não significa, necessariamente, garantir acesso a toda a experiência escolar. Transporte, materiais, alimentação, Estudos do Meio e outras experiências que fazem parte da vida no Gracinha também precisam estar ao alcance das alunas e dos alunos bolsistas.

Essa convivência com diferentes histórias, realidades e perspectivas também faz parte da formação dos nossos filhos. Ela amplia a forma como compreendem o mundo, se relacionam com as diferenças e vivem em uma comunidade plural.

O depoimento completo também relaciona o ato de doar à formação de valores como generosidade e responsabilidade com o outro.

Uma história que atravessa gerações

Antes de existir como Projeto Miné, esse compromisso já fazia parte da nossa história.

A história do Projeto Miné está ligada a uma trajetória muito anterior à criação do próprio projeto.

Ela atravessa gerações de mulheres, a fundação da Escola Nossa Senhora das Graças, a criação da Associação pela Família e diferentes iniciativas educacionais que, ao longo das décadas, buscaram aproximar educação, diversidade e responsabilidade social.

1850

A Lei Eusébio de Queiroz proíbe o tráfico de pessoas escravizadas, que passa a ocorrer de forma clandestina no Brasil.

1860

Um navio chega ao Maranhão trazendo famílias africanas. Entre elas estava uma menina de 2 anos, que recebe o nome de Luiza.

1872

Luiza é vendida e levada para trabalhar em uma fazenda de café.

Enfrenta trabalho pesado e castigos, é obrigada a se casar e, mais tarde, conquista a liberdade. Constitui família e, depois de trabalhar em diferentes fazendas, chega a São Paulo.

1926

Luiza morre aos 78 anos.

Sua filha Durvalina dá continuidade a uma história marcada pelo trabalho, pela religiosidade e pela participação comunitária.

1929

Durvalina começa a dar aulas de catecismo na Praça São Jorge, espaço em que também aconteciam encontros de operários.

Sua sobrinha Zilda passa a acompanhá-la.

1940

Durvalina e suas sobrinhas Zilda e Ilda passam a integrar a Juventude Operária Católica, a JOC.

1943

É fundada a Escola Nossa Senhora das Graças, a ENSG, que mais tarde se tornaria conhecida como Escola Gracinha.

1947

Zilda e Ilda são admitidas como operárias em uma fábrica no bairro do Belém, em São Paulo.

Segundo os registros que deram origem à linha do tempo do projeto, foram as primeiras operárias negras daquela fábrica, cinquenta anos após o fim da escravidão.

Início da década de 1950

Durvalina passa a dar aulas de catecismo no Morumbi e conhece integrantes da Juventude Independente Católica, ligada à Escola Nossa Senhora das Graças.

Zilda e Ilda Miné passam, então, a se aproximar do grupo que posteriormente estaria ligado à constituição da Associação pela Família.

1956

Nasce a Associação pela Família São Paulo vivia um intenso processo de crescimento econômico e populacional. A expansão da cidade vinha acompanhada pelo aumento das desigualdades e pela dificuldade de acesso a serviços públicos em regiões periféricas. É nesse contexto que nasce a ASPF. A Associação foi criada para estruturar o trabalho desenvolvido por mulheres que promoviam a educação de crianças que não encontravam vagas nas poucas escolas públicas existentes na região da Vila Brasilândia. Desde sua origem, a educação ocupava um lugar central: tanto na atuação junto às comunidades quanto na formação das famílias e dos estudantes da Escola Nossa Senhora das Graças.

1959

A ASPF compra a Escola Nossa Senhora das Graças.

A escola passa a integrar de forma ainda mais direta um modelo no qual educação e atuação social se relacionavam: a formação oferecida pela ENSG e as iniciativas desenvolvidas pela Associação faziam parte de uma mesma visão de sociedade.

Anos 1960

A atuação social da ASPF se fortalece.

O trabalho é transferido para o bairro do Ferreira, em terreno doado por Durvalina Noronha e sua sobrinha Zilda Noronha Miné, próximo à primeira capela construída na região.

1963

Ilda Noronha Miné começa a trabalhar na Escola Nossa Senhora das Graças, onde permaneceria por 21 anos.

Meados dos anos 1960

A Escola Nossa Senhora das Graças se consolida e aprofunda sua proposta educacional.

Nesse período, é construído o novo prédio e a escola se transfere para o Itaim.

1964

Com a instauração da ditadura militar, a ASPF também atravessa um momento de ruptura.

Parte dos associados apoia o golpe e se desliga da Associação.

Os associados que permanecem se aproximam das famílias da escola para assegurar a continuidade de um espaço comprometido com a educação e com a liberdade.

Nesse período, a escola também promove mudanças no ensino de Português e Matemática e cria classes destinadas ao atendimento de crianças com dificuldades específicas de aprendizagem.

Anos 1970

A escola continua ampliando seu percurso educacional em um Brasil marcado simultaneamente pelo autoritarismo e pelo crescimento econômico.

1975

É criado o 2º grau na Escola Nossa Senhora das Graças, ampliando a trajetória escolar oferecida aos estudantes.

Década de 1980

A recessão econômica agrava desigualdades, a expansão das favelas e a violência urbana em São Paulo.

As transformações sociais também colocam novos desafios para organizações dedicadas à educação e à atuação social.

1988 a 1993

A Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, e a Lei Orgânica da Assistência Social, de 1993, estabelecem um novo marco para a atuação das organizações da sociedade civil.

Nesse novo contexto, essas organizações passam a ter maior reconhecimento como parceiras na realização de iniciativas sociais, ambientais, culturais e educacionais.

1990 a 2006

A atuação da ASPF se amplia significativamente.

Nesse período, a Associação passa de duas para oito unidades educacionais.

1993

É criado o Projeto Colibri, em Embu das Artes, dando origem a um novo centro educacional.

1995

Uma parceria com a C&A permite a construção do Centro Educacional Colibri.

1997

É criado o Centro Educacional Girassol, no Jardim Jaqueline.

2001

A ASPF firma convênio com a Prefeitura de São Paulo e assume a gestão do Centro de Convivência Uirapuru, na comunidade Uirapuru. No mesmo ano surge o Projeto Aquarela, primeira experiência da Associação com alfabetização de adultos, posteriormente desenvolvida em outros espaços e formatos.

2003

Nos 60 anos do Gracinha, o prédio da escola passa por reforma e ampliação.

2004

A ASPF amplia novamente sua atuação. É criada a Nova Escola, na região do Aeroporto, com Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Surge também o Projeto Caminho Novo, no Brás, dedicado à alfabetização de homens em situação de rua. Em Taboão da Serra, o Centro Educacional Asas Fortes desenvolve formação de jovens para o trabalho. Na Vila Brasilândia, o Núcleo Arco-Íris realiza trabalho educativo dirigido a pessoas com deficiência.

Arraste lateralmente para ver a linha do tempo completa

Uma história que continua

O Projeto Miné é parte contemporânea dessa trajetória.

Ele transforma em ação um princípio que aparece em diferentes momentos da história da ASPF e do Gracinha: compreender a educação como experiência coletiva e criar condições para que pessoas com diferentes trajetórias possam participar dela.

Por isso, o Miné não existe à margem do projeto pedagógico da escola.

Ele ajuda a tornar possível uma comunidade na qual a diversidade não está apenas enunciada como valor, mas presente nas relações, nas aprendizagens e nas experiências vividas diariamente por alunas e alunos.

Uma história que continua

"Dar ao projeto o nome Miné é estabelecer uma continuidade entre diferentes gerações."

Homenagem a Zilda e Ilda Miné

Por que Miné?

Um nome que carrega uma história

O nome Miné preserva a memória de Zilda e Ilda Miné e de uma trajetória familiar profundamente ligada às origens da Associação pela Família.

Ao lado de Durvalina Noronha, elas participaram de movimentos de formação e atuação comunitária que se encontrariam, mais tarde, com a história da Escola Nossa Senhora das Graças e da própria ASPF.

Dar ao projeto o nome Miné é reconhecer essa origem e estabelecer uma continuidade entre diferentes gerações que compreenderam a educação como parte da construção de uma sociedade mais justa.

Uma construção coletiva

O Projeto Miné existe porque famílias e apoiadores escolhem participar dessa construção.

Algumas acompanham a iniciativa desde seus primeiros passos. Outras passaram a integrar essa rede ao longo do caminho.

Cada contribuição amplia as condições para que a diversidade que defendemos como princípio também possa ser vivida diariamente na escola.

Famílias Embaixadoras e apoiadores do Projeto Miné

Alberto Zacharias Toron
Ana Cândida Lemos de Mello Carvalho
Ana Cristina da Silva Mota
Ana Cristina Grecco Garcia
Ana Leticia Absy
Ana Paula Pimentel
Andrea de Carvalho Pinto Ribela Naito
Andrea Sterman Heimann
Adriana Beltrão Dupita
Adriane Cristina Cunha Rubira
Antonio Paulo Correa e Conde
Arthur Badin
Augusto Dolher do Carmo Júnior
Beatriz Moreira Ayub Ferreira Soares
Bernardo Biasi Ferrari Pinto
Bruno Duque Horta Nogueira
Carina Mattievich
Carla Pazini
Carlos Eduardo Tossuniam
Carlos Roberto Mazzilli
Carolina Brandão Pellicano
Carolina Carvalho Gomes dos Santos
Carolina Homem de Mello Reinach
Carolina Maria Nazario Betti Russo
Carmo Antonio Aun
Catarina Verônica B. de Melo Patury Accioly
Charles Angotti Furtado de Medeiros
Claudia Bolla
Claudia Estrela Gomes Pinto
Daniela Almeida
Daniella S Guidi
Débora Santos da Costa Oliveira
Deiwes Rubira de Assis
Diego Fernandez Sabetta
Eduardo dos Santos Olim Marote
Eduardo Gonçalves Fernandes
Eduardo Lyra de Queiroz
Eduardo Martinelli Carvalho
Eduardo Perazza de Medeiros
Elaine Aparecida Villas Boas Deneubourg
Emiliano de Castro e Caccia-Bava
Erika Pires Ramos
Fabio Brisighello Munhoz
Fabio Castello Branco Mariz de Oliveira
Fabio Luis Amaral
Família Gioielli
Família Mariz de Oliveira
Família Uebelle Lautenschlager
Felipe Mansur Prista
Felipe Oliveira Mavignier
Felippe Alexandrino Segall
Fernanda de Almeida Pernambuco
Fernando de Souza Rossi
Fernando Santiago dos Santos Zorzo
Flavia Pereira das Neves Dantas Bezerra
Frank Yutaka Fujisawa
Frederic Murilo Breyton
Gabriela Cruz de Moraes
Gerson Galleazzi
Gian Taralli
Gian Vittorio Giaquinto Taralli
Giovana Pavan Ranieri
Guilherme Barretto Giorgi
Guilherme Silveira Pedreira
Gustavo de Souza Soares
Guy Matitiahu Levy
Henrique Alexandre Miziara Teixeira
Homero de Mario Jorge Luiz Costa Vieira Olivetto
Irineu Loturco Filho
Ively Helena Taralli
Janaina Carla Timm Coutinho
Janaina Heiffig Villela
João Marcos Pequeno de Biase
Julia Crosman de Rezende
Juliana Lima Gonçalves
Juliana Mariz de Oliveira
Katia Ortiz Sestini
Lais Musetti Ramos de Souza
Letícia Gomes Genesini
Luciana Baarini Morelli
Luciana Dornellas Pio Magalhães
Luciano Quintanilha de Almeida
Luciano Ruben Nardelli
Luis Gustavo Thome Grillo
Luís Gustavo Ferraz Antunes
Luiz Alberto Fonseca Marinho de Azevedo
Luiz Benine Netto
Luiz Fernando Rocha de Abreu
Luiz Ricardo Ferreira dos Santos
Luiza Barros Rozas Verotti
Marcella Chelli de Azevedo
Márcia Cristina Correa Fortes
Márcia Mascioli
Marco Aurelio Simão Freire
Marcos Felipe Scalabrin
Marcos Ribeiro do Valle Neto
Maria Claudia Andreatta Hirt
Maria Cláudia de Araújo Costa Lopes de Almeida
Maria Luisa Fernandes
Mariana Ribeiro Ottaiano
Mariana Rodrigues Piovesani
Marina Ladeira Colonelli
Maura Gabbay
Mauro Bergstein
Mauro Gomes dos Santos Filho
Michelle Badin
Miguel Augusto Elias Alonso
Monica de Queiroz Ferreira Mello
Nelson Alexandre Choueri
Nina de Freitas Haller Dias
Olaya Silvia Machado Portella Hanashiro
Paola Salmona Ricci
Patricia de Oliveira Gouvêa
Paulo Magalhães Nasser
Pedro de Aguiar Safatle
Pierpaolo Cruz Bottini
Rafael Fernandes Dib
Rafael Luis Pompeia Gioielli
Rafael Masini
Renata Pontes Morato Gurgel
Ricardo Batista da Silva Mota Filho
Ricardo Silva Natali
Rita Martinussi
Roberto Coelho
Rodrigo Carvalho Correa
Rodrigo Octavio Broglia Mendes
Rubens Bezerra Filho
Simone Carosilo Magon
Simone dos Santos
Simone Paschoal Nogueira Minioli
Suzana Camargo de Almeida
Thais Folgosi Françoso
Thatiana Pecoraro Ricca Favery
Thayana de Almeida Alves Nunes
Tiago de Campos Pinheiro
Tomas Filipe Schoeller Paiva
Vanessa Felix
Vera Regina de Souza Rossi
Vinicius Kamakura
Wagner Cafagni Borja

A relação corresponde aos apoiadores apresentados na prestação de contas do primeiro semestre de 2026.

Transparência também faz parte desse compromisso

Os recursos destinados ao Projeto Miné são direcionados às diferentes dimensões que tornam possível a participação integral de alunas e alunos bolsistas na vida escolar.

A ASPF acompanha a gestão desses recursos e compartilha periodicamente seus resultados e sua destinação com a comunidade.

Prestação de Contas 2025

Conheça os resultados e a destinação dos recursos do Projeto Miné ao longo de 2025.

O relatório registra 105 alunas e alunos bolsistas e apresenta os investimentos realizados em Estudos do Meio, materiais didáticos, alimentação, apoio pedagógico, uniformes e transporte.

Prestação de Contas | 1º semestre de 2026

Conheça os resultados e a destinação dos recursos entre janeiro e junho de 2026.

O relatório apresenta 84 bolsistas no início do ano e R$ 165.196 destinados às diferentes dimensões da experiência escolar no período.

Fazer parte também educa

O Projeto Miné também convida as famílias a participarem dessa construção.

Contribuir é transformar um princípio em gesto concreto: reconhecer que a experiência de uma comunidade se amplia quando todas e todos têm condições de participar dela.

Para as famílias, é também uma oportunidade de compartilhar com seus filhos valores como generosidade, responsabilidade coletiva e compromisso com o outro.

Fazer parte também educa
Seja uma Família Embaixadora do Projeto Miné

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Sua contribuição pode ser pontual ou recorrente e se soma a uma rede de famílias comprometidas com uma comunidade escolar plural.